decidi por me ausentar da realidade. decidi, espontaneamente e sem determinar prazos, que desceria do salto pela vontade em analisar as situações diversas da vida e as reações das pessoas quando se relacionam umas com as outras.
há quase dois meses, mais ou menos, uma oportunidade de trabalho me permitiu fazer parte de uma caravana itinerante, que dorme cada dia em uma cidade e acorda cada hora com uma pessoa. creio que esse fato tenha colaborado para que neste tempo, eu tenha optado experienciar uma vida um pouco diferente.
o mundo é feito de relações. família, amigos, colegas de trabalho, gente que cruzamos na rua, na balada, paixões momentâneas. é isso que rege a todos. e uma coisa é certa: as relações contribuem absolutamente para as nossas escolhas futuras.
de certa forma, nesse momento estou me deixando levar às situações diversas, mas com muito cuidado para que as “influências” citadas acima, não tomem conta de mim. quem nunca fez algo por impulso porque um amigo pediu muito? é normal. vou mais a fundo, então: quem nunca achou que se não fizesse, estaria sendo egoísta?
dia desses, na meditação, ouvi que devemos pregar pelo egoísmo positivo - às vezes é bom ser antissocial, rejeitar a balada, chegar no trabalho e dar bom dia, sem esticar por educação.
então, me percebi assim. e com isso, passei a observar as relações em minha volta. uma amiga casou. outra virou noiva. outra terminou o namoro enquanto outra, levou chifre e não sabe o que faz. todas elas, sem exceção, estão em crise.
desconsiderando as situações que envolvem os fatos, eu [solteira, livre, desimpedida e, digamos assim - no celibato por escolha] tenho notado quanta coisa envolve os relacionamentos: expectativas, ciúmes, julgamentos, discussões sem fim… sei que não estamos livres disso, mas, será mesmo que tudo - absolutamente TUDO - deve ser motivo para tal? essa é a impressão que eu tenho.
outro dia, conversando com um amigo, falávamos sobre aparências. sobre viver pra isso, somente. isto é: casar na igreja porque é praxe, usar aliança porque manda a etiqueta, sonhar com as bodas de ouro porque é tradição e por aí vai… (não é à toa que a traição tem o poder de desestruturar autoestima de muitos e acabar com contos de fadas casamentos)
Em um mundo onde o facebook é o lugar onde as pessoas passam a maior parte de seu tempo, não sou eu que vou discutir sobre a melhor forma de viver. mas venho aqui questionar: até onde a superficialidade das relações - movida à insegurança das pessoas e ao ego inflado - vai nos levar? até quando a importância de um relacionamento de verdade, onde o contato físico, o olhar nos olhos, o cafuné de cada dia, vai ser confundida com relações impessoais e cheias de expectativas vazias, como as do facebook?
pra falar a verdade, estou tão bem assim, quieta, que, repenso a vontade de ter uma companhia mais íntima quando paro para refletir os conceitos deturpados que movem as pessoas hoje em dia.
busco um mundo menos desgastante. em todos os sentidos.